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Artigos e Análises

The Witcher 3: Wild Hunt conta com uma das cenas mais emocionantes da história dos videogames

É fato que The Witcher 3: Wild Hunt possui várias cenas inesquecíveis. Embora se trate de um RPG em que o jogador está sempre enfrentando criaturas e seres humanos terríveis, o mundo de Geralt, Ciri e Yennefer é cheio de momentos memoráveis não só pela diversão do desafio, mas também por quão cativantes os personagens conseguem ser.

Uma cena específica sempre me chamou muita atenção neste game, embora algumas pessoas digam que não chegaram a dar tanta importância para ela enquanto jogavam.

Minha primeira reação ao perceber que os produtores de The Witcher 3 decidiram se dedicar à construção de um momento tão sensível foi considerá-los muito corajosos. Imaginei que a reação, no geral, não seria positiva. Isto fez com que eu admirasse ainda mais a cena.

Em seguida, com um certo atraso, me dei conta de que a história narrada em The Wolven Storm (canção) não era apenas um enfeite. Tratava-se de uma poesia real inspirada numa conhecida história daquele universo, a de Geralt e Yennefer. Talvez alguns jogadores não saibam, mas a lenda do Lobo Branco e da Feiticeira que ele amava era algo extremamente popular mesmo entre o povo comum do norte — Dandelion, amigo do casal, compunha diversas canções sobre acontecimentos que os envolviam.

Embora todas as estrofes, assim como o refrão, deem dicas nada sutis a respeito de quem é o casal que inspirou a canção — quem será que quer nadar “no lilás desse teu olhar” e quem tem os olhos dessa cor? — são os últimos dois versos que acabam sendo determinantes até mesmo para que o próprio Lobo perceba que ele faz parte da música. No entanto, o que mais importa aqui não é “matar a charada”, mas sim reconhecer que houve um esforço muito grande por parte da equipe em uma composição que, além de se encaixar no mundo da qual faz parte, é simplesmente incrível.

“Não sei se tu és o meu destino ou se ao acaso o amor nos uniu. Quando dei voz ao meu desejo, vieste a mim sem assim desejares tu?”. Isso é maravilhoso. Mais ainda no caso dos fãs que leram os livros. Ambas as frases são praticamente um resumo de como Geralt e Yennefer se aproximam no livro “O Último Desejo”. Spoilers a seguir, claro.

Não dá para saber se de fato o Lobo Branco e a Feiticeira teriam se aproximado tanto não fosse o último dos três desejos aos quais Geralt teve direito após cruzar o caminho de um gênio. Isso nos leva a segunda parte do poema, que é consideravelmente mais problemática: se o que aproximou Geralt e Yennefer foi mesmo um desejo dele, será que ele a condenou a passar uma vida a seu lado mesmo sem que ela sentisse vontade?

Se o destino os uniria de toda forma, o desejo mágico chega a ser relevante para a concretização de uma relação amorosa? Se o acaso os colocou em uma mesma situação cujo desfecho os levaria por caminhos diferentes, foi o egoísmo de Geralt que deu vida a esta relação?

Pode ser que eu estivesse precisando de mais repertório em 2015, mas esta havia sido a primeira vez em que eu tinha percebido tamanho cuidado com a elaboração de algo tão sentimental em um game, mesmo não se tratando de algo fundamental para a trama. Espero passar por experiência similares.

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